Existe verbo para “tomar café da manhã”?
- Reginaldo Zaglia
- 7 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Você já parou para pensar se existe um verbo específico para “tomar café da manhã”? A expressão é tão comum no nosso dia a dia que raramente questionamos sua forma. Tecnicamente, “café da manhã” é um substantivo composto, e não há um verbo próprio que o substitua — ao contrário do que acontece com “almoçar” ou “jantar”. Alguns recorrem a “desjejuar”, termo que significa “quebrar o jejum”, mas que soa excessivamente formal e pouco usado na fala cotidiana. Assim, seguimos preferindo construções como “tomar café da manhã”, “fazer o café” ou “pegar o café”, que, embora mais longas, são perfeitamente naturais no português moderno.
A discussão sobre essa ausência revela algo interessante sobre a evolução da língua e dos hábitos alimentares no Brasil. As palavras que usamos para nomear as refeições mudaram ao longo dos séculos — e o café teve papel central nisso. No século XIX, por exemplo, “café” era apenas a bebida, e o termo “café da manhã” nem sempre designava uma refeição completa. O almoço era a primeira refeição do dia e o jantar a segunda, seguida pela merenda e a ceia.
Com o tempo, o consumo de café se espalhou e passou a marcar diferentes momentos do dia: o café da manhã, o café da tarde, o cafezinho do trabalho. Aos poucos, o café sa manhã passou a incluir pão, manteiga e o almoço foi adiado para um horário mais próximo do atual. Essa multiplicação de sentidos reflete como o ato de “tomar café” se tornou parte fundamental da rotina e do vocabulário brasileiros.
Em países de língua inglesa, os nomes das refeições também têm suas peculiaridades. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, as principais são “breakfast” (café da manhã), “lunch” (almoço) e “dinner” ou “supper” (jantar), com variações regionais e de horário. Curiosamente, o verbo “to breakfast”, que significa literalmente “tomar café da manhã”, existe, mas é considerado arcaico ou literário. No inglês contemporâneo, o mais comum é usar “have” ou “eat”: “have breakfast”, “eat lunch”, “have dinner”. Assim como no português, as refeições são substantivos, e a ação de realizá-las depende de um verbo auxiliar — um reflexo de como, em diferentes culturas, o cotidiano molda a língua.






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